segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

De novo?

Aqui estou eu,
De novo,
Sentindo o que palavras não explicam,
Planejando o implanejável,
Vivendo o que já não me pertence.

Eu,
Que tranquei o passado,
Me prendi no presente
E planejei um futuro
Que fosse totalmente diferente.

Eu,
Que prometi não mais sentir
E que me esforcei para deixar ir
O que um dia
Já foi meu.

Eu,
Que parei de lamentar,
Sofrer ou chorar
Pelo alguém que julguei
Não mais me amar.

Eu!
Aqui estou eu.


- Tamires Carvalho -

Definindo

Hoje o indefinido,
Se faz mais indefinido ainda.
Como definir
O que não pode ser descrito?

A definição da rota,
Do caminho,
Se encontra escolhida
Pelo indefinido do destino.

E como não fagulhar,
Ao ouvir palavras tão ardentes?
Como não arder
Perante lembranças
Que se encontram presentes?

O fato é que o rio,
Mesmo que tranquilo,
Segue para o mar...
Mas como ele, 
Outros o fazem.

Então, a qual rio
O mar pertence?
Como bater o martelo
No que o peito realmente sente?

O rio continua sendo rio,
Mesmo na ausência do mar.
Mas o que será do mar
Se o rio não fluir para o encontrar?

O mar vive,
Resiste, persiste.
Ele fica a mercê do destino
E mesmo quando tudo fica por um fio,
Ele não desiste.
Persiste, resiste, insiste.

O mar é ele,
Composto dele,
E os rios o compõem,
Mas não o são.
Ele o é!

Ele é o mar! Ele é o mar!


- Tamires Carvalho -