segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Quanto vale

Me pego pensando
Naquilo que não vejo
E percebo as cobranças
Daquilo que não tem preço.

Então paro e pergunto,
Com afinco e desespero:
Quanto vale o amor verdadeiro?

Vale a distância
Daquele que pensa
Que já não valia a pena
Insistir ou ficar?

Vale as lágrimas
Daquele que fica só
Como se o nó
Já não pudesse desatar?

Vale as lembranças
Dos sorrisos, das danças
De fantasmas que ainda
Persistem em voltar?

Afinal, 
Você pode me contar
Qual o valor daquele
Que sabe amar?


- Tamires Carvalho -

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Audível

Estou escutando!

De longe ecoa
A voz daquele que um dia amei
Em mim ressoa 
Tudo aquilo que te falei.

Sigo escutando!

As palavras que já não são ditas
Mas que permanecem escritas
Nos poemas que, um dia,
A gente trocou.

Ainda escuto!

Os gritos de socorro e amor
Que podem soar como alento
Ou terror, talvez dor,
Ao coração que parado ficou.

Já disse! Te escuto!
E você? Ainda me ouve?


- Tamires Carvalho -

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Impotência


Como dizer a eles
O que me assusta e causa aflição?
Como convencer ao não
Um jovem coração?

Medimos palavras para falar
Aquilo que a alma insiste em gritar!

Mas como falar 
O que o outro
Simplesmente não está pronto
Para escutar?

Como procurar por aquele
Que não consegue
E não pretende se achar?

Somos impotentes de mais!
Tentando resgatar
Aquele que não se permite salvar.
O que nos resta é tentar!
É tentar! Tentar! Tentamos!


- Tamires Carvalho -

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Âncora

Como explicar
O que a mente não entende?
Tem coisa que é de sentimento
E que segue acompanhando a gente!

Como entender
O que as palavras nunca disseram?
Tem silêncio que diz ao olhar
Coisas que a consciência
Sequer consegue imaginar.

Como deixar ir,
O que segue junto da gente?
Tem coisas que a gente esquece,
Mas a sensação do peito,
Permanece.

Como se despedir
Daquilo que nunca chegou?
Há emoções que permanecem,
Nunca desistem ou padecem.
Seguem, como âncora que acompanha o barco,
E marcam a vida, 
Por todos os lados.

- Tamires Carvalho - 


sexta-feira, 3 de junho de 2022

Como vento tranquilo

O silêncio as vezes é presente.
Mas como ficar em silêncio,
Ouvindo tudo que grita,
Aqui dentro da gente?

Como manter quieto o coração
Que sempre esteve em sobressaltos
E que agora segue, como se pós assalto,
Tentando anotar o que foi levado?

O silêncio às vezes é presente!
Quando não calamos o peito,
Deixamos cessar a voz,
Na intenção que só fique em nós
O que um dia de nós transbordou.

Quando isso acontecer,
Perceberá que o grito
Nunca se calou!
Apenas soprou, como vento tranquilo
Levando consigo o que o peito,
Bravio, não consegue apagar.


- Tamires Carvalho -

domingo, 10 de abril de 2022

O Sol...


Acordo e vejo o sol!

O céu, que esteve nublado,
Hoje se encontra feliz, ensolarado,
Esperando os pássaros
Que querem nele passear.

O mar, que esteve agitado,
Agora se encontra calmo,
Trazendo ondas tranquilas
Que querem os barcos embalar.

As árvores, que estiveram solitárias,
Hoje se encontram animadas, ávidas,
Para receber os piqueniques
E abrigar as pessoas em sua sombra.

Tudo porque o sol surgiu!
Tudo porque o sol surgiu!


- Tamires Carvalho -

segunda-feira, 28 de março de 2022

Esquece

Sabe aquele beijo
Que um dia aconteceu?
Esquece! Esquece tudo
Que um dia você me deu!

Tudo que nem foi tanto assim!

Foram palavas encantadoras,
Jogadas ao vento,
E um coração inocente
Entregue ao relento.

Foram lembranças distorcidas
De beijos cinematográficos,
Como se o status do gostar
Estivesse ligado ao falar.

No fim,
O que se dizia
Não era o que o coração,
Danado, sentia.

Era desejo repreendido,
Como se as palavras
Criassem emoções
Do que nunca sou sentido.


- Tamires Carvalho -

domingo, 27 de março de 2022

Dia de Vela...

Dia de vela.
Será que fico mais velha?

O tempo passa, voa
E a gente leva,
Tentando ficar de boa
E fingir que nada aconteceu.

De repente paro e reparo.
Onde está aquilo tudo,
Que um dia foi meu?

O tempo é assim:
Um dia é sobre você,
No outro sobre mim.

E eis que chega,
Mais uma vez,
O dia de vela.

Então paro e me pergunto:
O que desejou?
Será que, ao menos,
A vela soprou?


- Tamires Carvalho -

sexta-feira, 25 de março de 2022

Cabeça Vazia

Cabeça vazia
Garganta falando
Gritando o pranto
Que insiste em sair.

Cabeça vazia
Olhar extasiado
Coração emaranhado
Dos sentimentos de saudade.

Cabeça vazia
E você, quem diria,
Caminha pela vida
Esperando sua vez.

Cabeça vazia
Com medo, perdido,
Esperando o destino
De tudo que se fez.

Cabeça vazia
Como quem um dia ia,
Deixando os desejos
De senão ou talvez.

E eis que a vida caminha,
Tranquila,
Alheia a tudo
Que já se desfez.


- Tamires Carvalho -

sexta-feira, 18 de março de 2022

Penso em ti


Hoje estive pensando em ti.
Por onde anda?
Será que ainda pensa em mim?

Por um acaso se lembra
Daquele encontro ocasional?
Se recorda do dia de vinho?
De passar horas comigo, pensativo?

Será que tem vivo na memória?
Quando se lembra ri
Ou às vezes chora?

Será que sente falta
Das coisas triviais
Como andar de mãos dadas,
Ou das coisas mágicas?

Será que te marcou
Como me marquei de ti?
Não sei...
Não sei...


- Tamires Carvalho -