quarta-feira, 28 de maio de 2014

Lágrimas de Mar


E hoje o alento
Fica ao relento
E eu fico aqui, sofrendo,
Pelo alguém que já não sou.


E hoje o querer
Fica longe do poder
E a única coisa que me sobra
É o choro que vem, sem demora,
Inundando o peito de dor.


Agora o SIM, se faz NÃO,
Afastando os pedidos de perdão
Fazendo ficar no coração
Somente a marca do passado.


Cuidado, já não há!
Não resta, sequer, 
Uma vontade de ligar
Sinto que os olhos vão desabar
Assim como monte, inundado pelo mar.


Respiro fundo,
Escuto aquela canção
Quem sabe, ela não pode acalmar
Esse tristonho coração?


Ergo as mãos e clamo aos céus
Que não me deixe assim,
Largada, ao léu!


Na boca, sinto o gosto de féu
E penso que tudo estaria doce
Se você, apenas hoje
Comigo "fosse".


Recebo os dedos,
Que me apontam a alma
Não tenho, agora,
Aquela palavra,
Que me acalma.


De cabeça baixa
Sigo sozinha
Carregando essa dor
Que sei, ser só minha.


Entendo, então,
Que alento, não há!
Não existe, sequer
A vontade de ficar.


O que me resta é deitar,
E esperar que,
Assim como as ondas do mar,
Minhas lágrimas venham
Me consolar.

- Tamires Carvalho -

domingo, 18 de maio de 2014

Amor Certo


E, mais uma vez, lá estava ela, fazendo tudo errado e caminhando rumo a uma perda irreparável. O momento do "click", veio tarde e ela ficou perdida, como se o céu tivesse se apagado, junto com toda a luz que havia existido em sua vida.

Por algum motivo inexplicado, tinha uma grande vocação à infelicidade e à solidão. Estava tão acomodada em sua "vidinha de coitada", que ao encontrar o amor verdadeiro, desconfiou, exitou e chegou à beira do precipício, onde estava prestes a jogar todo aquele sentimento fora.

Ela pensava que precisava crescer e aprender a ser feliz. Se sentia deprimida por estar fazendo sofrer a pessoa mais importante de sua vida. Entendia que seu grande amor merecia muito mais que uma pessoa vazia de verdades e cheia de medos... Ele merecia uma mulher de verdade, que fizesse valer a pena cada um dos seus planos, e se entregasse àquele amor de corpo e alma. Mas ela, não era assim!

Era uma garota que, apesar da idade, ainda se encontrava na adolescência, cercada de todas as frustrações de sua infância, que a assombravam e a faziam ter certeza de que não havia nascido para a felicidade. 

Naquela manhã, acordou com o peito apertado. Sabia que teria que esperar o dia todo pela possibilidade de tentar se desculpar e, quem sabe, voltar ao caminho da felicidade, ao lado do seu amado. Mais uma vez, ela teve medo: medo de ser fraca, de não conseguir dizer tudo que se passava em sua alma, e acabasse perdendo, de vez, sua última chance de ser feliz.

A verdade era que sua alma estava em frangalhos, por saber que sua "melhor parte", sua essência, talvez estivesse indo embora pra sempre. Ela sabia bem que não existe mar sem rio e que aquele rio tinha sido feito para desembocar naquele mar. Sabia que eles se completavam, como um encaixe perfeito, e que o ciclo da vida estaria incompleto e banal na ausência de um dos dois. 

Parou, se lembrou de cada momento, cada palavra, cada olhar e se recordou do sentimento que inundou seu peito logo no primeiro momento. Esse sentimento era algo inédito em sua vida, algo que nunca havia feito parte de seu ser. O sentimento em questão, não era o amor ( que já gritava em seu peito, antes mesmo do primeiro encontro)... Era um sentimento mais concreto, sem nuances. Ela sentiu CERTEZA! Uma certeza danada de "pra sempre" ou "nunca mais" e, explicitamente, optou pelo "pra sempre", saltando em queda livre, sem pára-quedas ou qualquer outra proteção.

Pensando nisso tudo, se decidiu. Ela encararia tudo aquilo, com a mesma certeza sentida quase 2 anos antes. Mostraria a ele o quanto aquele desejo de "pra sempre" era sincero e que, dessa vez, estava disposta a abrir mão de tudo que fosse necessário para tê-lo de volta. Se arrumou, colocou seu melhor vestido, e partiu com toda sua certeza, rumo ao incerto que a esperava.


- Tamires Carvalho -