Quando a inspiração se esvai
E o peito inunda de vazio
Não há nada a fazer
Além de deixar partir
O que a alma insiste em guardar.
Mas o que fazer
Quando o passado bate à porte
E simplesmente renova
As lembranças preciosas
Que estavam em ruínas?
O que fazer com as recordações
Dos momentos únicos na praça
Que às vezes transbordam o peito
E os olhos embaçam?
O que fazer com os vestígios
Que aquele rio, mansinho,
Deixou em minha encosta
Quando seguia, sem se despedir?
O jeito é dizer adeus
E informar que suas águas
Que já me encheram de sonhos,
Sempre estarão correndo
Pelos poemas meus.
-Tamires Carvalho -
