sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Estrada afora....

Te olho
Te vejo
Suspiro
Não me entrego.

Abro a greta
Da porta do peito
E te vejo no receio
De abrir e você entrar.

Tem entrada
Que nunca mais despede
E o peito pede
Pra ficar pra sempre.

No medo de ser,
O melhor é não ter
Tudo que o coração
Pretende viver.

Fecho os olhos,
Com eles a porta
Te vejo ir embora
Estrada afora.

- Tamires Carvalho - 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Nossa Revolução


Hoje me acometem 
Os gritos de rebelião
É sinal de novos tempos
Está vindo a Revolução.

Pegue sua bandeira vermelha
E se junte à voz povo
O velho deixamos para trás
Nos abrimos para o novo.

Novo que marca mudança
Onde a tal da finança
É silenciada pela esperança
Do reinado da justiça.

E agora percebo
Que não existe porém, nem perdão
Ao velho estado cuspimos
Toda nossa Revolução!


- Tamires Carvalho - 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

V de vontade

Naquele dia
Me deparei com ele.
Ninguém mais,
Ninguém menos!

Como transmissão de pensamento
Pensei nele e ele,
Muito esperto,
Simplesmente chegou.

Lembrei de um tempo
Que o correto gritava
E agora tudo que eu pensava
Era que queria errar.

Àquela letra,
Que representava tanto,
Hoje representa
A presença do pranto.

Aquele V era vida
Que transbordava em mim.
Hoje o V representa vontade
De ser marcada pelo sim.

Aqueles olhos
Que nunca me deixaram
Hoje gritam
Um último pedido.

Pediram que hoje
Eu não erre, mas acerte,
Deixando para trás
O que não importa mais.

Me pergunto se o tempo
Não serviu como veneno
Matando o sentimento
Que um dia esteve em nós.

Mas penso no quanto
Abri mão desses planos
Por medo do encanto
Que você me provocou.

Hoje a coragem domina o medo
E o que fica é o anseio
De que, em breve, meu desejo
Possa se concretizar.

Nesse momento
Esquecerei os receios
Você fará parte
Do meu lugar.


- Tamires Carvalho - 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Tempo



Vejo você
Perdido na saudade
Que vem e me invade
Sem dizer porquê.

O tempo, bandido,
Que vive arredio
Passa lento como o vento
Quando estou longe de ti.

Mas basta chegarmos perto
Pro processo ser inverso
E o tempo, muito do esperto,
Resolver simplesmente voar.

Queria eu, ter tempo eterno
Ter você sempre por perto
E poder mandar lembranças, 

À distância, pra saudade.


Mas não te acanhes!
Tenho um plano
Para esse empasse
Desenrolar.


Te pego e te guardo
Bem fundo no peito
E mando a saudade
Morar em outro lugar.


- Tamires Carvalho -

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A ponte

Sorriso nos lábios
Sigo meu curso
Nesse paradoxo, louco,
Que se encontra a minha vida.

De forma metódica
Me decido que caminhar,
Apesar de perigoso,
Ainda é o mais certo.

Caminho de vida
É caminho sem retrocessos
E às vezes nos perdemos
No desenrolar desse processo.

Falta o ar
E a vontade é de saltar
Do alto da ponte
Que temos que atravessar.

No meio
Um rio sem rumo
Desses que têm início
Mas caminho incerto.

Do outro lado da ponte
O que vale a pena
Mas para chegar lá
É preciso se arriscar.

O maior risco
Se faz na dúvida
Que fica ao pensar
No que vamos encontrar.

Mas chegando por lá
A surpresa vem, à tona
E tudo que era medo
Com a ponte desmorona.


- Tamires Carvalho - 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vendaval

E hoje me vejo
De novo no início
Onde creio que o que é meu
Ainda está por vir.

Hoje me vejo na janela
Marcada pela espera
Da chegada
Do vendaval.

A ventania leva as folhas
Lava as ruas dessa vida
Que já se encontra cheia
De uma certeza que deve ser esquecida.

Leva, também,
Os sentimentos do passado
E quebra o porta-retrato 
Onde está, sorrindo.

Grito ao vento
O que queria que ouvisse
Deixando que minhas palavras
Se percam, pelo caminho.

E é nesse perder
Que eu me encontro
E embarco no rio da vida
Rumo ao futuro.

Por lá,
Tudo é diferente
E não existem mais
As coisas da gente.

Existe o eu,
Junto de mim,
Resgatando minhas partes
E deixando você ir.

Ida que marca
Um ponto à fio
Onde começa
Uma nova linha.

Nela, o coração escreve
Uma nova história de amor
E segue ela, até o fim,
Independente do que for.


- Tamires Carvalho - 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Me afogo...

Hoje a chuva
Invade meu jardim.
Ela vem trazendo coisas
De você para mim.

Cada gota, uma palavra
De um coração solitário...
Palavras que dizem de planos
Que ficaram no passado.

Minhas palavras se unem às suas,
Como junção de rio e mar.
As minhas, surgem como copo cheio
Que uma hora vai transbordar.

Quando transborda,
Não tem torneira!
Segue, rosto afora,
Como planta rasteira.

Planta dessas,
Que dominam o muro
E nos fazem esquecer o resto do mundo
Em apenas um segundo.

Quando percebo,
Estou assim:
Me afogando em todas as gotas
Que existem dentro de mim.


- Tamires Carvalho -