quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Saudação às férias


De olhos fechados,
À margem,
Eu paro e ouço,
Atenta.

O que estás a escutar?
Hão de me perguntar.
Escuto o som do mar.

Mas o que ouves de mar
Se aqui é BH
E o litoral é onde ele está?
Hão de indagar.

Escuto o sussurro calado,
A brisa a ecoar.
Coisas que ele não diz,
Mesmo quando está a gritar.

De olhos fechados,
Eu paro e ouço o mar,
Na espera que tuas ondas
Possam vir me encontrar.


- Tamires Carvalho - 

Escancarado


Certa vez eu li
Que pro amor verdadeiro entrar
Não precisa a porta do peito abrir.

De onde saiu tal pensamento?
O amor verdadeiro vem
E para em nossa porta...

Ele chega, às vezes barulhento,
Em outras de fininho,
E bate, bate, na intensão de ser atendido.

Até que um dia, de tanto bater,
Ele desiste e vai embora,
A procura de outra porta.

Então o que fazer
Para o verdadeiro amor
Finalmente ter?

Escancare porta e janela
Na intenção que ele chegue
E faça valer a espera!


- Tamires Carvalho - 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Verdades sobre o coração


Um dia escrevi sobre o coração
E sobre o amor, incontrolável, que ele sente.
Hoje paro e reparo
Que as vezes ele nos confunde e mente.

Muito é dito sobre o amor
Que chega, avassalador,
E domina o peito
Pela vida inteira...

Mas e o amor que sabota,
Às vezes machuca, às vezes chora,
Até chegar a hora
Que o peito começa a perder amor?

Jogos de palavras são muito divertidos
Mas não dizem o que é preciso
Para que a verdade permaneça
Tranquila consigo.

Palavras não ditas
Deixam o sentimento vazio
E mesmo com a possibilidade do "fico"
O coração titubeia, duvida.

Coração é órgão frágil.
Conquistá-lo pode até ser fácil
Mas fácil também é sabotar
Todo o sentimento que ele quis guardar.



- Tamires Carvalho -  

Alguns tercetos e um quarteto

Um dia estive lá.
Sonhei com o amor perfeito
E ele, desordeiro, veio.

Por ele fiz juras e planos,
Vaguei e cantei por todos os cantos
Esperando encantos de nunca partir.

A ele entreguei meu peito
E minhas palavras mais sinceras,
Sem qualquer pudor ou receio.

As palavras vagaram sobre o lago,
Aquele onde joguei as moedas
E onde escrevi vários recados.

Os recados também navegaram
E, pelo caminho, se rasgaram,
A cada tentativa frustrada de retorno.

Enfim, o retorno veio,
Mas agora não é mais o começo
Mas o fim, pelo meio,
Do amor que guardei no peito.

E dessa vez sou eu a fazer cinco tercetos
Para lhe dizer que o único quarteto
É o mais sincero do que aqui ficou.

E por aí?
Qual a verdade
Que realmente te marcou?



- Tamires Carvalho - 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Ecoando


Que tal falarmos um pouco de grito?

Tem grito que ecoa
As angústias que o peito
Nunca conseguiu
Encarar numa boa.

Tem grito que navega,
Como barco com rumo certo,
E por mais que seja esperto
Acaba falando o que queria calar.

Tem grito que é silêncio
E tem silêncio que é grito.

Em ambos os casos
O coração vaga perdido
Em conflito,
Tentando não dizer
O que tanto tenta esconder.

Então paro e me pergunto:
Qual o seu grito?
O que escondes aí, consigo?


- Tamires Carvalho - 

Quer amor?


Amor?
Já tive mais de um
E de forma incomum
Cada um foi super mágico.

Teve amor platônico,
Daqueles que a perna treme
Quando esbarra, de repente,
Pelos corredores, por aí.

Teve amor de promessa,
Daqueles que você simplesmente espera
Que fique ali,
Para sempre.

Teve amor de música boa,
Daqueles que, mesmo após vários anos,
A gente ainda lembra,
Toda vez que aquele som ecoa.

Teve amor de chegada e partida,
Daqueles que não precisa de despedida,
Porque simplesmente fica,
Mudando a razão social.

Teve amor de poema,
Daqueles que, muito mais que um esquema,
É espera quase eterna,
Pra quem ficou e pra quem se afastou.

Teve amor  de uma dança só,
Que diferente de nó,
Foi fanfarra constante do forró,
Cheio de laços eternos.

Teve amor de ficar junto,
Também amor de ficar só.

Até chegar o amor que traz o nó
Que nunca prende ou afrouxa. 
Só nos enlaça, na história
De tudo que levamos na memória. 



- Tamires Carvalho -