quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Aqui transborda


Naquele dia inesperado
O encontro marcou
O dia de início
Da história que passou.

O primeiro olhar
Foi como estar
Com o coração inundado
Do mais puro amor.

Os passos dados
Foram conectados
A toda a magia
Presente na praça...

E todas as garrafas de vinho
Nunca foram suficientes
Para apagar as lembranças
Do que já foi.

Mas o fato é que o tempo passou
E o que ficou
Foi a sensação
Do que não tem explicação.

E todo o sofrimento 
Que o coração sentiu
Foi como dias constantemente nublados
Que causam mar de água turva 
E que o peito inunda
Fazendo pelos olhos transbordar.



- Tamires Carvalho - 



Não grito!


No espanto ensurdecedor
Que é trazido pelo tempo
Me enquadro e me calo:
Já não grito!
Sou silêncio!


- Tamires Carvalho - 

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Me meio

Hoje me parto ao meio.
Esqueço o receio
E mais que o terço,
Me parto ao meio.

Meio que às vezes é fim,
Ás vezes é começo.
Nunca inteiro,
Sempre meio.

Meio que me perco,
Ou, talvez, me encontro
Num lugar, num ponto.

Ponto que nunca finda
Sempre é reticências
Talvez me tirando de cena.

O fato é que é mais completo
Quem se faz metade...
Sempre sobra espaço
Para mais uma parte.

Quando vê,
É múltiplo de metade,
Cheio de inteiro,
Inundando do cheiro
Que simplesmente vem.

Sou meio! Sou mais que inteiro!


- Tamires Carvalho - 

Eis você...

Hoje, mais uma vez,
Me veio você.
Aos poucos,
A dor vai deixando de doer.

É incrível como o tempo,
Remédio sereno,
Leva embora o sofrimento
Deixando só o que foi bom.

Por aqui,
Apesar de toda dor,
A lembrança do amor
Foi o que ficou.

Lembrança de amor
É coisa que vem marcar
Pra sempre o coração
Que ficou para trás.

E quando percebemos,
Dor e amor não têm mais lugar:
Todos eles se foram,
Como rio que segue para o mar.


- Tamires Carvalho - 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Aquele poema...

O que esperar
Do silêncio que se faz?

Hoje o poema, 
Que pairava sereno
Fica quieto,
Como se perdido
Entre as páginas do meu caderno.

Quantas vezes ele voou,
Muitas outras, navegou
Rumo à alegria de mar
Que existia naquele olhar...

Quantas vezes ele cantou.
Canções de saudade e dor
E ecoou, como grito de socorro.

Por muitas vezes implorou,
Planejou, desejou
E até mesmo escoou,
Por um rosto de expressão triste.

Mas poema de amor é assim:
Às vezes parte,
Em outras persiste
E insiste na nostalgia
Do presente que não mais existe.

Queria eu,
Mesmo que em sonho,
Reviver aquela realidade
E, mais uma vez,
 Escrever seu sorriso
Por toda parte.


- Tamires Carvalho -  

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Amor, amor...

Amor, amor,
Doce amor!
Preencha minha longa estrada,

Amor, amor,
Longo amor!
Não me abandone por nada.

Amor, amor,
Frágil amor!
Seja em mim alegria fútil.

Amor, amor,
Verbo amor!
Faça de mim o teu refúgio.

Amor, amor,
Raso amor!
Me preencha até o fundo.

Amor, amor,
Água de amor!
Venha e inunde meu mundo.

Amor, amor,
Sendo amor,
Seja como a correnteza.

Amor, amor,
Eterno amor!
Na lembrança e na fraqueza.


- Tamires Carvalho - 

Sou tristeza...



E hoje, sou tristeza!
Tristeza pelo tchau,
Que virou adeus
Tristeza por tudo aquilo
Que a gente não viveu.

Hoje a esperança
Se despediu da dança
E ameaçou com a desesperança:
"Ou ela, ou eu!"
No fim, a morte quem venceu.

Hoje recordo, 
Às vezes rio,
Quase sempre choro,
Dos louvores cantados
Aparentemente não escutados.

A casa nova,
Ela não viu
A gargalhada gostosa,
Ela não sorriu
O apelido carinhoso
Ela não falou,
Nem um "meu bem",
Ela deixou...

No fim, o que ficou
Foi a lembrança 
Do que marcou
Todos os conselhos que me doou
E o grande amor
Que a nós dedicou.


- Tamires Carvalho -

*Poema de despedida à querida Cletinha, que partiu em janeiro, e continua perpetuando saudade!