Ela estava lá, olhando além, quando deu por si e foi dominada por um ódio inflamável, que a corroeu por dentro.
Respirou fundo, se fechou o máximo que pôde e pensou, por algum tempo, como podia uma pessoa ser tão ruim, a ponto de se alegrar com a desgraça alheia.
A vontade foi de gritar ou, que sabe, atacar aquele bicho que, por desventura, havia cruzado seu caminho, mas vingança é um desejo que o ódio provoca e que, em momentos de explosão, pode causar atos insanos, e ela sabia disso. O melhor a fazer era ficar na sua.
Ao fim de tudo, ela sentiu pena do tal bicho, ao compreender o quão pequeno e infeliz ele era. Não amava ninguém, por não saber o significado real deste sentimento e, convenhamos, não existe nada mais triste e digno de dó que a ausência de amor, seja pelo próximo ou por si mesmo.
Então ela resolveu que seguiria seu rumo, sem se preocupar com quem não valia a pena. Ela, que havia se privado tanto, agora se entregaria à vida, há despeito de tudo e de todos, e conquistaria sua verdadeira felicidade, nem que esta custasse muito... Nem que custasse tudo!
- Tamires Carvalho -
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